As paixões segundo Pablo Sandoval

O Segredo dos seus olhos

El tipo puede cambiar de todo: de cara, de casa, de familia, de novia, de religión, de dios. Pero hay una cosa que no puede cambiar Benjamín. No puede cambiar de pasión.

Se fossemos revisitar o que disse Decartes sobre as paixões, de forma bastante rasa, poderíamos entender que a sua causa é “a agitação com que os espíritos movem a pequena glândula situada no meio do cérebro (…)” e “que todas elas [as paixões] podem também ser excitadas pelos objetos que afetam os sentidos e que tais objetos são suas causas mais comuns e principais”

Para a personagem de Guilhermo Francella em O segredo de seus olhos, Pablo Sandoval, elas não são excitadas ou mudam. São perenes e vivem, sempre, no coração do apaixonado:

Para entender melhor o que diz Sandoval, acompanhamos seu amigo, o recém aposentado oficial de justiça Benjamin Esposito, que decide escrever um romance, baseando no estupro seguido de morte da jovem Liliana Colloto, ocorrido há 25 anos. Compartilhamos, assim, das memórias de Benjamin sobre o caso, que trazem –  além de pormenores de uma investigação que ocorreu em um estado de exceção e de extrema violência, em uma Argentina à beira da ditadura militar – a lembrança de amigos, a dor do marido da jovem assassinada e um amor que o protagonista não pode concretizar nos idos de 1974.

O segredo de seus olhos foi o vencedor do Prêmio Goya e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2010. Baseado no romance La pregunta de sus ojos de Eduardo Sacheri, o longa conta com um final surpreendente, um plano-sequência de seis minutos – que nos presenteia com uma das cenas mais bonitas já feitas em um estádio de futebol – e com uma dupla impagável formada pelo ator Ricardo Darín – que vive Benjamin – e pelo já citado Guillermo Francella, que interpreta Pablo Sandoval.

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