Branca de Neve e as 1001 Noites

Fábulas – HQs criada por Bill Willingham – teve seu último volume publicado em 2015, totalizando 150 edições. Além da publicação principal, alguns especiais foram lançados, para aprofundar esse mundo tão conhecido quanto novo: a sensação de familiaridade e quebra de expectativa é um dos maiores trunfos da série. Entre esses especiais está As 1001 Noites de Neve, que narra eventos anteriores da narrativa principal.

Nos primeiros dias da Cidade das Fábulas em nosso mundo, Branca de Neve parte para o mundo das Fábulas Árabes com a incumbência de alertá-las sobre o perigo que logo os cercaria, o mesmo que ela e todos os outros enfrentaram nas Terras Natais: o Adversário.

Ao chegar, foi acolhida e esquecida, não tendo a audiência solicitada com o Shahyar, até que, certo dia, o grão-vizir concede uma entrevista com o sultão.

Não sabemos o que fazer com você. Nossa serenidade está destruída, deixando o palácio confuso. Você chega aqui sem véu, usando roupas estrangeiras sem humildade, sem trazer belos presentes dignos da majestade do rei Shahyar. E que tipo de povo atrasado em engenharia uma mulher comissária? Pretendem nos insultar? Por que não vai para casa?

O grão-vizir, porém, enganou tanto seu senhor quanto nossa heroína sabendo que sua filha seria a próxima a sucumbir à crueldade feita lei: Shahyar toma, a cada noite, uma virgem como noiva e a mata ao amanhecer. Branca quis ouvir a historia por trás deste decreto e descobriu que fora criado após o sultão ter sido traído duas vezes.

Neve quis, também, contar sua história e o sultão a quis ouvir.

-Sim – concordou o sultão – podemos nos demorar um pouco mais. Conte-me sua história, Branca de Neve.

1001 Noites de Neve - Página

As 1001 Noites de Neve é realmente o que o título nos revela: uma história que segue a estrutura de narrativa em moldura, baseada em As 1001 Noites, em que o mote central – a ida de Branca para as terras das Fábulas Árabes e suas consequências – serve de motivação para que outras histórias sejam contadas.

Entre as outras histórias estão o motivo do porquê nunca devemos falar sobre os anões com Branca de Neve; do quão esperta pode ser uma raposa; dos horrores que pode viver um sapo; das consequências da paixão entre o Vento Norte e uma simples loba; do porquê as bruxas precisam controlar seus apetites, entre outras, afinal foram 1001 noites e todas com artes que abraçam um leque de estilos: do ultra-realismo de John Bolton a delicadeza que lembra os livros infantis de Esad Andrews.

Sempre que alguém me pergunta como começar a se aventurar na leitura de Fábulas, recomendo começar não por Lendas do Exílio, que é o primeiro arco da série principal, mas por essa encantadora joia narrativa (do deserto?).

 

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