Guia do Mochileiro das Galáxias – Uma Introdução!

Guia do Mochileiro das Galáxias – Uma Introdução!
Ficções de Bolso

 
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O Dia da Toalha sempre é uma questão: hoje chamam de dia do Orgulho Nerd (sério que alguém tem orgulho em ser nerd? Eu não…), Dia Nerd… Uma heresia! Então, fui caçando pela internet resenhas e vídeos sobre o Guia do Mochileiro das Galáxias e me deparei com um bastante curioso, de uma leitora não acostumada com ficção científica e que não sabia muito sobre a obra.

Acho que de todas as coisas que ela falou, concordei com quase tudo: que ficção científica é pra falar sobre o ser humano e não sobre naves e alienígenas; que o autor, Douglas Adams, critica a religião, a política e a burocracia de forma muito bem humorada, indo para o escracho e; que o livro é extremamente divertido!

Talvez, a única afirmação que ela tenha feito e da qual não concordo é: “não aprendi nada com esse livro.” Eu digo que aprendi uma das maiores lições de vida com O Guia que é saber exatamente o tamanho da insignificância da minha existência e o livro está permeado por esta ideia desde o início. Dúvida?

Na história encontramos a casa de Arthur Dent em vias de ser demolida para a construção de uma autoestrada. Somos, então, apresentados ao seu amigo, Ford Prefect que chama Arthur para beber, dizendo que em 11 minutos nada disso fará diferença uma vez que a Terra será apagada da existência para a construção de uma rodovia galáctica.

É isso: para um problema que parece grande, sempre tem algo em maior proporção; para cada coisa que julgamos genial sempre terá outra que a fará parecer tão medíocre quanto relógios digitais.

(…) a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você -estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.

Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc, etc. Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.

E é assim, desvendando nossa pequenez diante do universo – sempre carregando o item mais importante para um mochileiro espacial: a sua toalha -, que pegamos carona com Arthur e Ford em uma nave Vogon; conhecemos o presidente da galáxia Zaphod Beeblebrox e sua namorada Trillian e; um robô maníaco-depressivo chamado Marvin.

Então, Feliz dia da Toalha!

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