Watchmen: Zack Snyder e a fotonovela mais cara da história

Já faz mais de 10 anos: era 2009 e a estreia de uma das produções mais esperadas por qualquer amante de quadrinhos. Ansiedade e Expectativa me acompanhavam na fila de entrada e sentaram-se ao meu lado na sala de cinema. Ambas despediram-se apenas quando as luzes foram se apagando e o filme ia começando a aparecer na tela.

Eu estava tão entusiasmada que anotei cada cena, enquanto via. A leitura abaixo fará mais sentido se você já tiver assistido ao filme.

Unforgetable toca ao fundo da luta do Comediante com o, até então, desconhecido vilão da história foi demais: os enquadramentos eram iguais as da HQ. O slow motion funcionou bem nessa seqüência, apesar de me deixar com a sensação de “mais do mesmo” quando comparado com o filme 300.
Ah! A sequência que mais mais gostei: os créditos. Ao som de Bob Dylan o passado dos vigilantes do Minutemen vai transcorrendo na tela. Fiquei deslumbrada e, ao mesmo tempo, apreensiva pois não parave de de pensar se as pessoas que não tinham lido a minissérie estavam entendendo aquele monte de informações que eram jogadas para elas.

Olhei para Ansiedade do meu lado direito e comentei “hum, a boca do Dr. Manhatham não ficou boa”. Depois percebi que tamanho da genitália também não. Agressivo demais. O homem mais poderoso do mundo com o maior pau do mundo… Aquela esquete do Porta dos Fundos nunca fez tanto sentido…

Ozzymandias aparece na tela e eu não gosto! O homem mais inteligente e carismático do mundo parece um almofadinha.

Durante a cena da prisão, me pergunto quais outros filmes o ator que interpreta o Rorcharch fez. Ele é excelente!

Patrick Wilson não compromete e ficou muito parecido fisicamente com o Coruja.

A atriz que faz a Laurie é muito nova para o papel e… “Haleluia”. Entendi porque Snyder colocou uma atriz tão nova para o papel.

Definitivamente odeio esse Ozzymandias, e isso não é bom.

Como assim a grande ameaça é o Dr. Manhathan? Depois de ter ganhado a Guerra do Vietnã? Isso não funciona. Ele sempre será o Superman dos EUA. Ele escolheu um lado.

O filme acaba… O gosto de 300 fica em minha boca e a pequena Frustração bate palmas a minha frente.

Revi Watchmen – O filme e, infelizmente, minha opinião não mudou: a produção continua parecendo uma fotonovela, daquelas que nossas mães liam na adolescência, em meados da década de 70. A fotografia é maravilhosa e a trilha quase previsível. A adaptação? Respondo com outra pergunta: Qual? A história foi toda transportada para a tela e mesmo assim não funcionou. O filme é um quadro a quadro da minissérie em quadrinhos e não me pareceu tão genial. Foi pela ausência dos Contos do Cargueiro Negro ou pela ameaça que agora não remetia mais a tal lula-gigante-alienígena? Não foi nada disso, acredito, tenho, na verdade, duas hipóteses: a primeira é a de que Snyder não entendeu que Alan Moore fez foi uma desconstrução dos super-heróis e não sua consagração. Eles não são brilhantes e destemidos, são ridículos e problemáticos. A segunda e, principalmente, a mais definitiva é porque Watchmen foi escrita, em toda sua maestria, para ser um gibi. Por que é tão difícil adaptar Ulisses de James Joyce? Porque o romance foi escrito para ser isso, um romance, utilizando todos os recursos de sua forma. Tudo o que Alan Moore faz é direcionado para uma publicação em quadrinhos e somente para sua forma de narrativa, que ele domina de forma genial.

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